21 de junho de 2016

DO STATUS

O poeta veste a palavra
e de letra retrata a sua função.
Não existe caneta-equilíbrio,
não há forma pra forma de ação.
Exibe a dor,
Transpõe amor.
Sentir ... arder,
EmOçÃo.
Dedilho de cordas,
Dedilho de rimas.
O poeta com as mãos à esgrima tocando a ferida-canção.
Se a dor o visita
Encontra companhia não muito tardia.
Se escreve é bem lido, sentido dos olhos,
correntes na tela.
Sua linha é janela
onde a poesia se exara.
Remediar pra sarar
toda letra que espera.
O poeta é poeta
Na forma que for.
Do jeito que for,
O poeta é amor.
No baixo, canto alto
Na caneta ou paleta
Seja como for
O poeta é a certeza
Na inspiração que chegou.

30 de maio de 2016

02:00

Tinto caminho do vinho a boca, 
a língua vermelha povoa palavras finitas,
letras molhadas na borda da taça,
de bolhas palavras
o gole é canção.
Formo frases...
Dialética.
Ora santa, ora cética.
Nas curvas, incerta.
No prumo, poeta.
No vão, colisão. 
Tinto caminho da boca ao vinho,
Poema às 2h de uma vida torta.
Dentro da taça
Reflito, inexisto
Na pedra de  gelo, 
vejo o meu coração.
Brindo ao instante,
meu grito. 
Grito aos instantes,
razão.

25 de maio de 2016

JANELA

Pela janela vislumbro o infinito,
varanda esquecida,
escada sem riso.
Pista amarela onde jaz meu amor.
... a lua me causa arrepios.
0uço notas dos nós, culpa do nós que ficou.
... revivo ao longo da estrada, varanda sem luz pr'uma prece sem cor.
... e tudo dói feito ócio.
Sinto dores nas flores.
Sinto saudade.
(e agora é tão tarde).
Sinto a dor,
Beira mar que restou.
A cor amarela onde está a janela.
A lua de prata
no vinho que escorre.
Carro que corre.
Lembrança que foi.
Pela janela...eu choro e me perco.
...
Mais uma dose.
Eu sinto overdose.
Meu corpo queima essas linhas de amor.



VINHO

A taça brilhante
erguida a ermo
brinda as coisas tolas
desse eu eterno.
Próximo a quarta
do regresso à porta,
meu coração sangra
onde a espada corta.
...
e a taça ilumina
a madrugada fria
na dor que alcança
onde o ar inspira
Meu abismo no equilíbrio
Passo largo no meio fio
Tudo existe
E eu acalmo
Tudo insiste
E eu calo.

vermelho

A mancha de cinzas sobre o tapete vermelho,
brasa queimada de alguma visão.
Entorpeceu meus instintos,
tomou-me a razão.

Do fatídico invisível
ao tato diligente
Nesse mundo carente
uma mancha no vermelho
requer bem mais atenção.

Essa constância em achar que,só, não se caminha.
Essa pouca vontade de mãos
à frio dentro do peito.

A cinza mal batida que queima e resguarda
quimera em eras...
um buraco no tapete,
esse mal pisado que sou.

Vermelho ... e só

6 de maio de 2016

Dias de abril

Meus batimentos,
Cordel de emoções
e ilusões cortejadas.
... Meu coração ...
Despedaçado sobre a mesa da sala
... Meu coração ...
Só mais um segundo.
Partido, contrito
E eu constato.
Quando foi que comecei a morrer?

Meus batimentos
Sem o mesmo vermelho de antes.

Levai-me pelos instante
Onde o frio brisa em meus tragos..
Andarilho distante,
Sem coração,
No espaço.

4 de maio de 2016

Das linhas que aqui repito ...

Não me insultem as mentiras na voz de sereia.
Nem me alcancem canções doces ou falanges de amor.
De cima do muro a incerteza é bonita.
Enquanto duvido bagunço bem menos o meu coração.
A sua recusa e pouca atenção aos fatos.
Hoje não importa mais.
(dois ou três tragos nesse cigarro?)
No início, bem que doeu...
Hoje não importa..eu repito.
Te refaço em abraços gentis
(e quase esqueço)
Estive farta por tempo demais
Mas brindo ao teu egoísmo,
só pra não dizer que não aplaudi de pé a sua atuação.
Tua mentira hoje é piada.
Eu acho graça. ..
O amor que pensei viver nunca existiu?
Foi vazio demais por aqui.

Acho que me perdi enquanto te assistia.
Eu não sei!
Acho que perdi.

(Continua...)

27 de abril de 2016

Era calmaria naquela manhã.
Mesmo depois do barulho e de me ouvir chorar.
(Fez-se silêncio)

Eu, com os olhos na janela, respirando fundo o que restou de você. .. 
Seus defeitos detalhados;
Reclames;
Suas manias estranhas;
Seus fantasmas diários;

(O que já fomos antes desse amor morrer?)

Sinto falta do que eu sou ao seu lado;
Sinto falta do que você me fez ser.

Hoje, às vésperas de mais dias sem teus olhos.
Me dói qualquer coisa tua...

Ah, se soubesses o quanto estou fora da caixa...

Minto o fatídico,
Parecendo mistério.
De toda essa ironia,
divã do meu tédio.

Morro vivendo?
Sobrevivo ou minto?

(Eu não sei esquecer.)

25 de abril de 2016

Dos sonhos que arrepiam ...

Toco tua pele,
Escorrego em teu corpo
Te beijo no escuro,
Te tenho de novo.
Sua respiração, brisa leve.
Gemidos de sal e calor.
Seu perfume, em tudo que aspiro.
Teus cílios..em risos
Teu som,
Teu sabor.


Você provoca o nocivo.
 
És poesia quando quer
Linhas de êxtase calmo.
És silêncio de outono.
O bem,
Em meu mal,
Meu amor.

22 de abril de 2016