19 de setembro de 2017

uma velha insensatez

As vezes tenho a velha certeza da morte 
quando me pego tentando encontrar abrigo em meus abismos astrais.
A verdade bem atrás da porta que não ouso abrir, 
a calibragem das palavras transfigurando meus rosto em páginas bestiais,
as linhas salgadas em meus olhos, 
o vazio que já não sabe doer.
Eu me despeço de mim sem maiores despedidas.
Danço com o fim como se fôssemos velhos amigos.
Estaciono no pátio das emoções desconhecidas, 
Coloco uma placa vermelha de bem vindo a quem quiser ver...
Não haverá sorriso de "ora".
Estamos na zona informe, 
minha nudez (só minha).
Minha vida em busca de outra vida.
dor e insensatez,
caminho e partida.

Fevereiro 17

18 de setembro de 2017

Sobre o que a gente só diz depois

Fluoxetina pros olhos
Colírio pra alma,
Te acalma!
Tomou as vitaminas?
Tu não és mais menina!
O holter não ativa fora do braço,
O coração tá fraco, disseram.
Eu ri!
Acima do peso dos meus ais,
Descrevo mentiras em cadernos invisíveis,
Síndrome do pânico que governa o mundo lá fora,
Desliga o cigarro! Acende o abraço!
Que é mais aceitável.
Se informa da droga nova
Que é pra ninguém morrer engasgado com o próprio ego.
Fixa firme o leme e não ponha tua alma no prego...
Lá fora tá um deserto eterno, não tem ninguém afim de pagar.
Aminoácidos, antidepressivos, nicotina, cafeína
10 horas diárias de trabalho pra mostrar que tu és o bom.
Remédio das 14..tu tomas às 18
E passa a noite em claro na inquisição.
Arritmia, hipocondria.
MORTE NO STATUS

Mais alguém? Mais alguém?
Fui Eu! 

Abrindo Abril - 17

A semana começa às 05:40h, 
uma enxaqueca me acompanha durante todo o expediente.
Sorrio pras paredes evitando tolas observações e a segunda-feira trancorre em náuseas dentro de mim.
A mente disritmada e meu coração acelerado em vozes de vai e vem,
o telefone tocando repetidas vezes, e eu, com frases ensaiadas há mais de um ano.
Tudo ao redor me é insignificante, e eu prossigo "apesar de".
Venço a briga às 17:30h, 
acendo um cigarro de saída e a descida pela rua central parece engolir meus pensamentos.
(não há quem me espere e não há vitórias pra contar a alguém)
O caminho de casa é cheio de "gentes", perfumes e o velho som da cidade
e eu cruzo o tempo com ansiedade de chegar, mesmo sendo mais triste o outro lado de mim.
O silêncio é interrompido pelo som dos gatos, abro a porta e tudo segue parado.
exceto essa vontade de não ser
(tão só e fim)

14 de setembro de 2017

Notas do inverno que passou

Eles se assustam com minha sinceridade 
e esse meu jeito de pensar e ser.
Porque sendo,
muito mais que penso, 
Acendo linhas tortas ao que eu possa ser.
Desenho gentilezas em meu universo 
enquanto ouço estrelas no entardecer
Um barulho infindo, 
meu infinito amigo,
Todos meus invernos pra poder viver.

super nova

Um rosto aqui dentro,
O teu,
Meu sorriso agigantado
Pelo espaço da sala 
Colorindo meus espasmos,
Dias ociosos,
Acalmando o tempo
E um tre'jeito' de estar
Tua alma fica grande 
Quando eu olho pro lado
No teu abraço existe saudade,
Um querer, 
Descansar ...
Eu te reconheço, te desejo e saúdo
Alma bonita do espaço.
Bom tempo, 
Futuro ...

Seu sorriso é um convite pra minha alma acalmar.

21 de agosto de 2017

Do amor inabalável

Jesus não disse que tipo de próximo deveríamos amar, a ordem estava mais para "vai lá e ama!"
Quem é o meu próximo?
E se ele for diferente de tudo que acho "certo ou apropriado", poderia, ainda assim, amá-lo como a mim? 
O homem é escravo do seu ego
Tá certo! 
E enquanto seguimos nesse conflito de 'mins', o quintal da vida segue seu curso minado.
O amor perdeu seu significado.
Mas, acredite, isso não é o fim!


30 de maio de 2016

02:00

Tinto caminho do vinho a boca, 
a língua vermelha povoa palavras finitas,
letras molhadas na borda da taça,
de bolhas palavras
o gole é canção.
Formo frases...
Dialética.
Ora santa, ora cética.
Nas curvas, incerta.
No prumo, poeta.
No vão, colisão. 
Tinto caminho da boca ao vinho,
Poema às 2h de uma vida torta.
Dentro da taça
Reflito, inexisto
Na pedra de  gelo, 
vejo o meu coração.
Brindo ao instante,
meu grito. 
Grito aos instantes,
razão.

25 de maio de 2016

JANELA

Pela janela vislumbro o infinito,
varanda esquecida,
escada sem riso.
Pista amarela onde jaz meu amor.
... a lua me causa arrepios.
0uço notas nos nós, culpa do "nós" que ficou.
... revivo ao longo da estrada, varanda sem luz pr'uma prece sem cor.
... e tudo dói feito ócio.
Sinto dores nas flores.
Sinto saudade.
(e agora é tão tarde).
Sinto a dor,
Beira mar que restou.
A cor amarela onde está a janela.
A lua de prata
no vinho que escorre.
Carro que corre.
Lembrança que foi.
Pela janela...eu choro e me perco.
...
Mais uma dose.
Eu sinto overdose.
Meu corpo queima essas linhas de amor.



VINHO

A taça brilhante
erguida a ermo
brinda as coisas tolas
desse eu eterno.
Próximo a quarta
do regresso à porta,
meu coração sangra
onde a espada corta.
...
e a taça ilumina
a madrugada fria
na dor que alcança
onde o ar inspira
Meu abismo no equilíbrio
Passo largo no meio fio
Tudo existe
E eu acalmo
Tudo insiste
E eu calo.

vermelho

A mancha de cinzas sobre o tapete vermelho,
brasa queimada de alguma visão.
Entorpeceu meus instintos,
tomou-me a razão.

Do fatídico invisível
ao tato diligente
Nesse mundo carente
uma mancha no vermelho
requer bem mais atenção.

Essa constância em achar que,só, não se caminha.
Essa pouca vontade de mãos
à frio dentro do peito.

A cinza mal batida que queima e resguarda
quimera em eras...
um buraco no tapete,
esse mal pisado que sou.

Vermelho ... e só

6 de maio de 2016

Dias de abril

Meus batimentos,
Cordel de emoções
e ilusões cortejadas.
... Meu coração ...
Despedaçado sobre a mesa da sala
... Meu coração ...
Só mais um segundo.
Partido, contrito
E eu constato.
Quando foi que comecei a morrer?

Meus batimentos
Sem o mesmo vermelho de antes.

Levai-me pelos instante
Onde o frio brisa em meus tragos..
Andarilho distante,
Sem coração,
No espaço.